Vinte e quatro por três

Depois que Julinha, a peituda do bloco cirúrgico, comentou com a Márcia, do RH, sobre a noite com Osvaldo, todo o hospital soube o tamanho do pau do médico. A medida que outras colegas experimentavam os vinte quatro centímetros, a fama de Osvaldo crescia. Depois de comer dezoito, Osvaldo nem lembrava de Julinha ou do plano de comprar um Porshe aos quarenta anos.

Numa segunda-feira, o Osvaldo amanheceu zonzo e com o pau pequeno. Oito centímetros ereto e nenhuma cicatriz. Obra digna de especialista. Osvaldo vestiu-se e correu. Roberto, amigo desde os tempos de faculdade e urologista, teria a explicação. Há duas quadras do hospital, foi atropelado. No velório, apenas Julinha e Roberto. Antes de fechar o caixão, o coveiro encontrou junto ao corpo o bilhete: “Eu queria você só pra mim”.

Passada uma semana de luto, os médicos da autópsia se encarregaram do email geral com o assunto “Tanto barulho por tão pouco?” e a foto, em anexo, de Osvaldo estendido na maca com o toquinho em riste. As dezessete colegas calaram. Julinha respondeu para todos “Brincadeira de mau gosto”. Roberto respondeu só para Julinha “Faria qualquer coisa para você esquecer o Osvaldo”.

Mauro Paz
Arte/Ilustração: Diogo Valim